Os negócios familiares representam aproximadamente 90% do total de empresas no país, desempenhando um importante papel na economia brasileira. Além da representatividade, elas possuem particularidades que se diferem das outras, como os valores e laços familiares e ainda, o processo sucessório. E esse último quesito é de extrema importância para o futuro da empresa.
Dados mostram que 70% da empresas encerram as atividades quando o fundador morre. E quem continua no mercado sofre pela dependência das decisões do fundador, extração de recursos para o sustento de muitos descendentes, e até mesmo acontecimentos não empresariais, como divórcios e casamentos.
É por isso que os fundadores devem contar com um plano de ação que vise a proteção do negócio. “Os empresários devem usar de instrumentos que protejam o patrimônio familiar através da profissionalização do negócio, preparação do novo gestor ou até mesmo da entrada de um sócio estratégico”, destaca o diretor da Nello Investimentos, Bruno Saldivia.
Segundo ele, diversos instrumentos jurídicos e societários podem ser úteis quando falamos de sucessão. “Deve-se ter regras claras entre os novos sócios para a solução de conflitos, destinação do lucro e remuneração dos gestores. Além disso é importante implementar regras de governança a partir da constituição de administração e conselho de família”, afirma Bruno ao ressaltar que toda transação de sucessão familiar deve passar por uma consultoria, garantindo os trâmites legais e a preservação de bens morais e materiais da empresa.
Uma solução que tem potencializado a perpetuidade das empresas e consequente preservação do patrimônio das famílias é a entrada de um sócio estratégico no negócio, ou até mesmo a realização do investimento na empresa com a venda do negócio para alguma companhia em setor sinérgico com a atividade original da empresa. Esse trabalho exige um esforço muito importante no mapeamento do mercado e uma dose grande de cuidados com o sigilo na estruturação do projeto. “Um trabalho que não for conduzido com todos os esforços direcionado a confidencialidade pode facilmente desmobilizar funcionários e stakeholders, e acabar desvalorizando o ativo no mercado” acrescenta Mário N. Westrup, executivo de negócios da Nello em Santa Catarina.
Alguns dos fatores mais relevantes nessa tomada de decisão são, a idade avançada dos fundadores permitindo que possam usufruir do capital acumulado, dificuldades de implantar uma estrutura de governança corporativa em meio a muitos herdeiros já envolvidos na gestão da empresa e a inexistência de sucessores na família visto que a vocação para o determinado setor é muito pontual e está muito associada a pessoa do fundador.
Todos esses fatores devem ser observados com atenção pelas empresas e a solução mais acertada para essas questões devem ser incluídas na pauta de suas reflexões e jantares de família, projetando um futuro seguro e estável para todos.
Bruno Saldivia
 
Replicação autorizada pelo autor.